sexta-feira, 23 de abril de 2010

O nada

Alguém alguma vez já pensou em escrever sobre o nada? Alguém já parou para pensar o que é o nada? Se não sabemos falar o que é o nada, como sabemos o que é o nada? O nada é um vazio. Mas o vazio tem algo. O nada. Logo ele não é vazio.

Será então que o nada é algo que existe? Mas quando dizem que algo não existe, é porque é um nada. Então tudo que não existe, existe? Ou será que o nada não existe? Mas se o nada não existe, como pode não existir as coisas que não existem?

O nada é o oposto de tudo. Mas o que seria tudo? O nada poderia ser um tudo no vazio. O vazio é inteiramente, completamente cheio do nada. Logo o nada é tudo que existe no vazio. Mas como o nada pode ser tudo, se são duas idéias opostas? Então, se o nada não existe, o tudo também não existe?

É, eu não consigo pensar em nada para descrever o nada. Ou melhor, pensei em tudo para descrever o nada, certo? É, esquece tudo – ou nada.

Um só coração

Ela queria falar com ele. Ele queria falar com ela.

Ele chegara muito perto da realização de seu desejo, mas algo o impedira. Alguma força dentro do seu espírito atormentado por um sonho não realizado, por falta de confiança em si mesmo, o impedira. Estava muito perto, tão perto que conseguia sentir seu perfume, conseguia contar os fios de seus cabelos, tão perto que conseguia ver sua alma, sua profunda e apaixonada alma. Uma paixão indeterminada, não tinha explicação, vagava solitária no meio do mar de indecisão.

Ela, indecisa do que pensar, indecisa do que fazer, indecisa do que sentir. Será que ela realmente o amava? A dúvida a sufocava, apertava seu pequeno coração apaixonado. Mas seria tudo isso uma ilusão? Seria o fruto de um sentimento impulsivo? Seria apenas a adrenalina de querer chegar perto dele, querer falar com ele, querer tocar seus lábios? Apenas a adrenalina que corria por suas veias? Pensar nisso só a deixava mais aflita, mais indecisa, mas apaixonada.

Dois corações batiam fortemente, parecia mais um só coração. Ela queria falar com ele, ele queria falar com ela. E a esperança que os dois alimentavam dentro de si que outro falaria, os impedia de realizar seu desejo. O problema, duas almas muito parecidas, dividiam um só pensamento, um só desejo – falar com a pessoa diante de seus olhos. Tudo não passava de uma ilusão, de um desejo, de dois corações indecisos, e supostamente apaixonados.

Ela queria falar com ele. Ele queria falar com ela. E tudo isso não passou de uma iludida paixão platônica.